Uma análise sobre O Justiceiro em Zona de Guerra


Admito que conheço muita pouca coisa sobre o Justiceiro.

Tudo o que eu conheço é que ele era Frank Castle, teve a família morta por versões de quinta categoria da Família Soprano e decidiu se vingar matando mafiosos, pederastas, pedófilos e qualquer um que ele considera um desperdício de oxigênio.

E como o personagem tava fazendo um sucesso com os leitores, ele foi pro mundo do cinema.

A primeira tentativa foi com o Dolph Lundgren... que foi uma merda.

Depois, fizeram outro filme do Justiceiro com o Thomas Jane... que também era uma merda, mas era uma merda menos fedida.

E então em 2008, tentaram DE NOVO com outro filme do Justiceiro.

Será que desta vez acertaram?

Acompanhem minha análise.


Este 3º reboot (sim, é um reboot do reboot) mostra um Justiceiro (aqui interpretado pelo saudoso Ray Stevenson) mais profissional, botando a cabo famílias inteiras de mafiosos enquanto é investigado pelo detetive Martin Soap (Dash Mihok). Porém, após matar acidentalmente um policial disfarçado, ele passa a proteger a família dele enquanto tenta deter uma nova ameaça personificada pelo sádico Retalho (Dominic West) e a responsabilidade de ajudar as pessoas, ainda que traumatizado por ter assassinado o policial.

O filme não é muito elaborado quando o assunto é roteiro, mas ele vai direto ao ponto quando o assunto é ação. Personagens vão do ponto A ao ponto B e é isso que o público quer ver mesmo se a narrativa não for grande coisa. O roteiro também se inspira muito na fase MAX do Garth Ennis, o que já difere bastante das outras adaptações.

Se no filme do Dolph Lundgren a violência era quase inexistente e no do Thomas Jane o Justiceiro quase não matava ninguém, aqui ele não pensa duas vezes. Cabeças explodem, pessoas são esfaqueadas, mutilações aos borbotões, cabeças esmagadas com um único soco... o filme não arrega e é extremamente brutal.

Quase como se a diretora Lexi Alexander (sim, uma mulher dirigiu um filme do Justiceiro, quem diria) estivesse dizendo "toma aqui, seus merdas, é assim que se faz um filme do Justiceiro!" e fez muito bem.

De fato, se assistirem esse vídeo, verão que a contagem de corpos é bem alta, o que dá muito mais moral do que qualquer coisa que Lundgren e Jane fizeram antes.

Apesar do roteiro também insistir naquela papagaiada do herói - ou anti-herói, no caso - querer pendurar o uniforme depois de um tempo na ativa, felizmente não dura muito tempo e Frank Castle logo volta a carregar suas Berettas e suas espingardas pra reduzir todo mundo a polpa de fruta de novo.


Agora migremos para o elenco e estão todos bons aqui.

Ray Stevenson, que Deus o tenha, interpreta um excelente Justiceiro. Ele realmente tem cara de alguém que esteve nas ruas há muito tempo e vive numa eterna dor, uma vez que sua família foi morta na sua frente e carrega esse fardo consigo o tempo todo. Seu Justiceiro também carrega uma relutância em querer parar de ser vigilante ao mesmo tempo que não quer deixar os facínoras impunes e isso é muito importante.

Wayne Knight também é um excelente Microchip. Divertido e competente, ele se mostra um sujeito bem de boa e apoia o Justiceiro em sua cruzada.

Mas quem rouba a cena mesmo é Dominic West. Sua interpretação de Retalho, por mais que seja caricata, é cruel e truculenta. Com ele não tem coré coré, é dedo no cu e gritaria. E quando se junta com o irmão (interpretado por aquele guarda do À Espera de um Milagre que todo mundo odeia) a brutalidade aumenta a mais.

Ah e, ao contrário do Retalho da série, o de Dominic West não só não é bunda mole como a maquiagem é bem mais convincente.

Só resta a você escolher qual versão do personagem te apetece mais.


O Justiceiro em Zona de Guerra não é perfeito. A narrativa não é coesa, nem todos os personagens são bem definidos... mas não é isso que você espera ver em um filme do Justiceiro.

O que falta em narrativa o filme compensa na violência, que com certeza vai agradar aqueles que são mais chegados em gore e em filmes que não poupam na brutalidade.

Altamente recomendável.

Até a próxima, minha gente!

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