quarta-feira, 25 de maio de 2016

Watchmen: analisando a versão estendida



Em 1985, o visionário Alan Moore criou uma das graphic novels mais fodas do século (sim, até mais que A Piada Mortal): Watchmen!

Pra quem nunca leu (sério, você tem problemas), a série gira em torno de pessoas normais assim como todos nós que vez ou outra vestem fantasias espalhafatosas (exceto o Dr. Manhattan) e saem Nova York afora transformando meliantes em purê de batata enquanto saem em busca de alguém que está matando os heróis.

Além disso, a narrativa era interrompida por um gibi de piratas que um guri estava lendo e DÚZIAS de texto, mas mesmo assim não era uma chatice.

Exceto se você for um preguiçoso, porque esse tipo de leitura não é pra você.

E em 2009, Zack Snyder fez uma adaptação sobre a graphic novel... que muita gente odiou. Depois também veio a versão do diretor e a versão "Ultimate".

Eu assisti a versão Ultimate, mas será que é tão boa?

É o que vamos descobrir.

Não parem de ler este artigo ou o Rorschach vai atrás de você.
Depois não diga que eu não avisei...

Pois bem, no prólogo Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) estava descansando enquanto pensava em novas maneiras de estuprar uma cabra, quando um misterioso criminoso invade sua casa.

Claro que isso é tão errado como provocar o pitbull da sua vizinha safada, mas estamos falando de um sujeito de meia-idade, então ele não aguentou a porrada e foi arremessado pela janela do seu apê, onde ficou esmilinguido na calçada.

Depois, Rorschach (Jackie Earle Haley) faz sua investigação e arrebenta uns tiras no processo (cena não presente na versão de cinema/DVD), e então descobre que há um assassino de vigilantes mascarados.

Aí então você sabe o que vem pela frente: mortes, braços mutilados, cotovelos quebrados... enfim, todo aquele tipo de violência que todos nós aprendemos a gostar. Se Alan Moore tiver visto esta versão, com certeza ele acharia melhor do que as outras porcarias que saíram baseadas em suas obras.

...

Claro, eu gosto de V de Vingança e entendo o quanto revolucionou a... revolução (e a identidade do Zangado), mas fora isso as outras adaptações eram sofríveis.

Tanto que Alan Moore prefere não ser creditado, para preservar sua visão das suas obras-primas, que os considera "infilmáveis".

Pena que ele preferiu se distanciar de Watchmen, que é um dos melhores filmes que eu já vi.

E vocês achando que só Game of Thrones
era violento...
Uma das coisas que mais me surpreendeu nessa adaptação é o esforço dos produtores em se tornar fiel ao quadrinho.

Claro que, como todo mundo sabe, filmes baseados em histórias em quadrinhos nem sempre geram bons resultados. Vez ou outra temos maravilhas (V de Vingança, Sin City, O Máskara...), filmes razoáveis (300, Spawn, Batman Eternamente...) e outros absurdamente horrendos (Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Quarteto Fantástico...), mas aqui vemos que Zack Snyder lutou pra manter a essência, talvez com medo dos fãs mais puristas, mas pelo jeito deu certo.

Snyder nem brincou em serviço e reproduziu quadro-a-quadro todas as cenas de cada página. Óbvio que pra quem é novato, o roteirista fez questão de espremer tudo pra um filme de 3 horas e meia (ou 2 horas e meia, se você viu a edição do DVD), mas é um resumo que funciona muito bem.

Os efeitos especiais são incríveis. Claro que tem umas derrapadas quase imperceptíveis, mas é só prestar mais atenção e verá que essa sim é uma das adaptações mais fiéis de um livro.

A única coisa que me incomodou aqui foi o fato do diretor fazer questão de mostrar o pinto do Dr. Manhattan sempre que possível. Sim, isso estava presente nos quadrinhos, mas Snyder faz de um jeito exagerado.

Esta imagem é só pra mostrar o quanto a Malin Akerman é sexy,
portanto não vai ter nada a ver com o que direi a seguir...
Uma das coisas que o pessoal mais tem reclamado foi da violência explícita.

Quem já leu os quadrinhos sabe que havia sangue e porrada pelos borbotões, provando que sim, os heróis são humanos como eu, você, sua mãe e até a vadia da tia do Bátima.

Mas no filme... nossa, aqui temos braços arrancados, cotovelos quebrados e tanto sangue que faria o Drácula não ter mais fome por mais uns mil anos.

Diabos, temos até uma gloriosa cena em que um jovem Rorschach arranca a cara de um guri a dentadas!!!!

Claro que isso tudo vem embalado na irritante técnica slow motion que o diretor adora inserir nos seus filmes, e esse é outro ponto fraco do filme: as cenas de luta.

Felizmente são poucas, mas todas elas usam aquela tática de câmera lenta-depois acelera-depois lenta de novo... chega a irritar até quem é acostumado.

Esse fator também estava em 300 e em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, o que indica que Zack Snyder não é muito inovador em fazer cenas memoráveis.

...

Exceto as cenas violentas do Rorschach, essas sim são inesquecíveis.

Agora, um grande mérito é a animação baseada em Contos do Cargueiro Negro que invade a narrativa do filme (na versão Ultimate), exatamente como acontecia nos quadrinhos.

Ok, vou explicar: há um subplot em Watchmen onde um garoto frequentemente lê Contos do Cargueiro Negro enquanto o jornaleiro normalmente faz seu trabalho.

E isso acontece algumas vezes, até mesmo quando a história principal está no ápice. Mas não é muita coisa que possa brochar um ávido leitor de quadrinhos.

Na história, Gerard Butler (sim, o próprio Leônidas) é um marinheiro que acaba naufragando numa ilha com os cadáveres dos seus camaradas depois de um encontro amigável com o Cargueiro Negro.

E o que ele faz depois disso é criativo: constrói uma jangada com os corpos (e até conversa com um deles, como se fosse uma versão zumbificada do Wilson) e pretende voltar pra sua terra avisar do grande perigo que se aproxima, além de se envolver em altas confusões enquanto enlouquece no alto-mar.

A animação é até impressionante, lembrando as animações que a DC atualmente faz. Muito bem detalhado e violento, é como se fosse a versão americanizada da origem de O-Ren Ishii, que também invadiu a narrativa de Kill Bill Vol. 1 de uma forma espetacular.

Ou seja, considero Gerard Butler um pirata muito melhor que o Jack Sparrow.

Sim, foi isso mesmo que eu disse.
Conforme-se.
Concluindo, Watchmen é uma obra de arte. Claro, não é uma adaptação 100%, mas é o melhor que pudemos receber. E agradeçam ao Zack Snyder por ter tido extremo cuidado, que é uma coisa que muitos diretores não andam tendo.

Mas fiquem com a versão estendida (que tem 216 minutos de duração!), que é muito melhor que a versão de cinema.

Bom... vou ficando por aqui... até a próxima... e cuidado com o Rorschach...